Amplo Conjunto de Medidas Coordenadas Reduz Tensão Financeira na Europa

Durante o fim de semana, em resposta ao agravamento das tensões financeiras na Europa dos últimos dias, foram anunciadas uma série de extraordinárias medidas coordenadas para combater a crise fiscal da região. A União
Européia e o FMI concordaram sobre os termos de um amplo mecanismo de suporte financeiro aos países em dificuldade, adicionalmente ao já aprovado para socorro à Grécia. O montante total a ser disponibilizado (numa janela de 3 anos) deve atingir 720 bilhões de euros, sendo 500 bilhões levantados pela União Européia e 220 bilhões providos pelo FMI. Dos recursos disponibilizados pela União Européia, 60 bilhões de euros poderão já ser utilizados de forma “relativamente rápida” pelos países que se encontram em maior dificuldade para rolar a dívida de curtíssimo prazo, com juros similares aos oferecidos à Grécia. Esse valor deve ser financiado pela emissão de títulos da União Européia, com explícita garantia dos países membros, além da garantia implícita do Banco Central Europeu (BCE). O
restante (440 bilhões de euros), além dos recursos do FMI (220 bilhões de euros), funcionarão como um mecanismo de garantia especial de curto/médio prazo, e sua efetiva ativação deve ocorrer dentro de alguma semanas. Esse
segundo passo necessita da aprovação formal dos parlamentos em muitos países.
O montante total garantido, de fato, representa um importante avanço na tentativa de estabilização das condições financeiras na Europa. Especulações iniciais estimavam que o valor total do pacote não superaria 100 bilhões de euros, valor insuficiente, por exemplo, para cobrir uma eventual necessidade de Portugal e Espanha de rolar a dívida com vencimento previsto para 2010. As medidas anunciadas podem assegurar a esses países, além de outros em expressiva dificuldade fiscal na Europa, uma maior facilidade para levantar diretamente no mercado privado os recursos necessários com taxas de juros mais baixas.
Adicionalmente, o Banco Central Europeu anunciou que implementará uma série de medidas para assegurar maior estabilidade no mercado financeiro europeu. Dentre elas, merecem destaque: a) intervenções no mercado de títulos
públicos (government bonds) e privados europeus, com o objetivo de prover liquidez nos segmentos mais fragilizados. Estas intervenções serão esterilizadas por meio de operações paralelas, de forma que a condução da
política monetária não seja afetada; b) reativação, de forma coordenada com outros bancos centrais, das linhas temporárias de swap em dólar; c) reativação das operações regulares de três e seis meses de refinanciamento
de longo prazo (LTROs).
Por outro lado, detalhes e alguns pontos ainda precisam ser levados em consideração. Como a derrota da 1º ministra alemão mostrou, é fraco o apoio político aos pacotes de socorro nas maiores nações. Ademais, ainda não está claro que tipo de condicionantes os países demandantes da ajuda serão “obrigados” a seguir. Por fim, o mecanismo de suporte e garantias é de responsabilidade dos países integrantes da Zona do Euro, muitos deles, ainda que não sob ataque do mercado, também sob ruins condições fiscais e de endividamento.
Em suma: de fato, as medidas são bastante significativas em intensidade e escopo. Não sem razão, os preços dos ativos reagiram muito positivamente nessa segunda-feira. Caso nos próximos dias a credibilidade do mecanismo de suporte mantenha-se elevada, consideramos alta a probabilidade de redução significativa das tensões associadas à crise fiscal européia no curto prazo. Por outro lado, caso o mercado coloque em dúvida a efetivação das medidas anunciadas, por razões políticas ou mesmo técnicas (associadas aos condicionantes), é possível uma rápida e intensa reversão do otimismo agora presente, fato que elevaria sobremaneira as incertezas associadas ao cenário macroeconômico e ao comportamento dos ativos nos próximos meses.

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