McCann Erickson e W/ próximas de um acordo

São intensas as negociações que podem resultar na fusão entre a McCann Erickson e a W/. Embora as empresas não confirmem oficialmente, interlocutores próximos às duas partes prevêem que um acordo possa ser concluído ainda neste mês.

Questionado pela reportagem de M&M Online, o diretor regional do McCann Worldgroup para América Latina e Caribe, Luca Lindner, disse que a informação não procede e que a McCann Erickson não está comprando a W/.

O principal combustível para a iniciativa seria a necessidade de reposicionamento das duas agências. A McCann Erickson, que já liderou o ranking brasileiro, não aparece entre as dez primeiras da lista do Ibope Monitor de 2009. Sua compra de mídia diminuiu 17,1% no ano passado, configurando-se na maior queda entre as 30 primeiras do ranking. Já a W/ ocupa a 43ª posição, com resultado 13% melhor que o de 2008 (leia mais sobre o ranking de 2009 aqui).

No início do ano passado, falando à reportagem de Meio & Mensagem sobre o futuro de sua agência, Washington Olivetto afirmou que não pretendia vender a W/, embora confirmasse assédios de grupos multinacionais. “Nos primeiros anos da W/ os assédios foram muitos, mas, depois de nossas sucessivas recusas, eles diminuíram. No ano passado (2008), fomos novamente procurados, mas nada mais aconteceu após setembro, quando o mundo parou”, disse ele na ocasião, em referência à crise global, cujos efeitos já não amedrontam tanto os investidores internacionais neste início de 2010.

Ainda falando sobre a possibilidade de venda da agência, Olivetto reconheceu que o maior empecilho para a concretização do negócio é ele próprio. Seu desejo é o de perenizar a marca W/. “Tenho 57 anos (hoje 58) e pretendo participar do cotidiano da agência até os 64 (ou seja, até 2016). Depois disso, meu sonho é o de que a marca W/ seja imortalizada. Por este motivo, estamos abertos a uma associação, mas não com venda de parte majoritária, como querem as multinacionais”, explicou ele, na época.

O desejo de Olivetto poderia ser atendido em parte pelo Grupo McCann com o uso da marca W/ no nome da nova agência que surgiria após a fusão com a McCann Erickson.

Desde janeiro de 2009, Olivetto controla sua agência sem a participação acionária de Javier Llussá e Gabriel Zellmeister, que foram sócios na W/Brasil desde julho de 1989, quando o grupo suíço GGK deixou o negócio que havia ajudado a inaugurar em julho de 1986, como W/GGK.

Antes de deixar a sociedade, Llussá e Zellmeister já haviam se afastado do dia-a-dia da W/, dedicando-se nos últimos anos aos demais negócios da holding Prax, que chegou a ter mais de dez empresas mas hoje tem atuação restrita a participações de 30% na gaúcha Escala e de 10% na Conteúdo Expresso.

Para marcar a nova fase, Olivetto tirou o “Brasil” da marca e a agência passou a usar apenas W/, adotando como “sobrenome” nas assinaturas dos anúncios as marcas de seus clientes, como, por exemplo W/Bombril, W/Grendene, W/Nestlé e W/Sadia. Para efeitos burocráticos, o nome da agência mudou em janeiro de 2009 de W/Brasil para Dablius.

No ano passado, a W/ conquistou cinco novas contas: Deca, Unimed Rio, Wizard, Azeite Borges e Cartago (Grendene). Em contrapartida, perdeu as verbas das cervejas Baden Baden, Devassa, Eisenbahn e Nobel, todas do Grupo Schincariol (transferidas para Mood e Lew’Lara\TBWA); da marca Bic (que foi para a BorghiErh/Lowe); do laboratório EMS (que seguiu para a 141 Soho Square); da empresa imobiliária MaxHaus (que passou a trabalhar com a Talent); e dos calçados Rebook  (agora na DCS).

Outras duas perdas importantes foram as do co-presidente de criação Rui Branquinho, em junho, e da diretora de mídia Gleidys Salvanha (hoje na Y&R), em agosto.

Já o escritório brasileiro da McCann Erickson amargou um duro golpe em 2009: a perda da polpuda verba do banco Santander, hoje concentrada na Talent. Por outro lado, conseguiu se manter como uma das agências da TIM, conta dividida com a Neogama/BBH.

Internamente, o ano passado foi movimentado para a equipe da McCann. O time comandado pelo presidente Fernando Mazzarolo recebeu reforços como o vice-presidente de criação Alexandre Okada (ex-Leo Burnett de Portugal); as vice-presidentes de atendimento Andrea Sanches (ex-Natura) e Julianna Rojas (ex-Mead Johnson); os diretores de criação Tales Bahu (ex-AlmapBBDO) e Fred Sartorello (ex-Lew’Lara\TBWA); o diretor de atendimento Raf Fayad (ex-Taterka), a diretora de pesquisa de mídia Carolina Buzetto (ex-F/Nazca S&S); e a diretora de mídia Silvia Restad (ex-Neogama/BBH). No mês passado, a agência trouxe de volta ao Brasil o vice-presidente de atendimento Rodrigo Perri (ex-McCann Miami) para cuidar das contas de GM e HP, em substituição a Saulo Sanchez (ex-Etco Ogilvy), que deixou a equipe no início de janeiro, menos de um ano após sua contratação.

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