Twitter é rede de informação. E não mídia social, diz Criador.

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Biz Stone, um dos fundadores do Twitter, comemorou no Brasil o acerto de acordos assinados com duas grandes marcas do mundo digital: Google e Microsoft. Convidado pelo Grupo TV1 para se apresentar no segundo encontro Agenda do Futuro, realizado na noite desta quarta-feira, 22, ele deu os toques finais na negociação em São Paulo – e o anúncio foi feito nos Estados Unidos.

Com os acordos, os tweets (as mensagens de 140 caracteres) passam a constar das buscas feitas no Google ou no Bing, o sistema da Microsoft. Se alguém postar uma notícia a respeito de um evento em uma cidade, por exemplo, a informação entra na lista de resultados dos serviços. “Os acordos permitem uma busca melhor no Twitter. O search do Twitter só nos dá os últimos updates. Agora, com o Google e o Bing, que dominam o conhecimento da busca, o usuário poderá fazer uma pesquisa com maior valor”, explicou Stone.

Assinar esse acordo reforça a filosofia do Twitter, que é a troca de informações, conforme salientou o cofundador. Em encontro com jornalistas antes de sua apresentação no evento da TV1, Stone comentou que procura manter uma relação aberta com todas as companhias possíveis, sejam elas de search, rede social, redes móveis ou redes de TV, com quem já teve algumas experiências nos Estados Unidos.

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Nesse encontro, Stone reforçou palavras ditas durante o Festival de Cannes deste ano. Na ocasião, ao ser confrontado com comparações com o Facebook, ele afirmou que não via o Twitter como uma rede social, pois teria um papel mais complementar do que o site de Mark Zuckerberg. Em São Paulo, ele fez questão de enfatizar seu posicionamento. “Nós não nos consideramos uma rede social. Somos uma rede de informação”. Isso porque os usuários continuamente reportam não apenas o que estão fazendo, mas o que está acontecendo ao seu redor, relatando de terremotos a protestos, entre outros temas que logo repercutem no mundo digital.

Também relembrando o que dissera em Cannes, quando avisou que começaria a ganhar dinheiro neste ano, Stone contou que passará a fazer receita em 2009, mas que não necessariamente será uma empresa lucrativa. Ele esclareceu que a companhia dedicou tempo e dinheiro para criar o “modelo de receita correto” para o Twitter. Como eles precisavam iniciar com algo, eles já deram largada em alguns experimentos.

“O primeiro projeto provavelmente será o de contas comerciais”, afirmou. Isso significa serviços em que as companhias poderão medir seu sucesso no site de microblog – até o final do ano esse projeto deverá ficar pronto. “Há diversas corporações que utilizam o Twitter hoje, em uma atividade híbrida entre o marketing e o serviço de atendimento ao consumidor. Queremos fornecer um serviço adicional às companhias. Para que elas possam se tornar melhores twitters e seus seguidores possam ter uma melhor experiência. E, claro, para que o Twitter possa ganhar algum dinheiro”. 

No encontro Agenda do Futuro, que contou com 300 pessoas, Stone destacou alguns dos atributos que fizeram o Twitter crescer e conquistar tantos usuários (são mais de 44 milhões de cadastros, segundo dados de setembro). Além de contar como o site surgiu, o cofundador afirmou que a criatividade é uma fonte renovável e que é uma forma de superar obstáculos que antes pareciam intransponíveis.

Diversão

Um valor do Twitter, de acordo com Stone, é o humor. Isso ele provou contando a reação de outro fundador, Evan Williams, às críticas feitas ao site. Uma delas é que o site é divertido, porém não tem utilidade. A resposta de Williams foi “assim como o sorvete”. Entre risos da platéia, Stone disse que eles vão continuar com a marca do humor. 

Mas Stone voltou a ressaltar a posicionar o Twitter como um importante instrumento para compartilhar informação. Um exemplo dado para comprovar o poder que o site tem foi o de um estudante americano que esteve no Egito para participar de um protesto. Preso, ele postou uma mensagem no Twitter via celular: “arrested”. Como as pessoas sabiam onde ele estava e o que tinha ido fazer, seus seguidores se mobilizaram e, algum tempo depois, ele enviou o recado que estava livre. 

Com isso, Stone salientou que o Twitter não se trata de um triunfo da tecnologia, e sim da humanidade. Essa postura o leva a acreditar que o site tem um bom futuro pela frente. “Não acho que o que importa é quanto a tecnologia se desenvolveu. Tudo está relacionado com o quanto as pessoas se conectam às outras. Isso nós estimulamos”. 
Por outro lado, ele deposita grandes expectativas em relação ao mobile. Na conversa com os jornalistas, Stone reportou que há um crescimento expressivo do Twitter pelos celulares. No momento, o uso pelo site está estabilizado entre os norte-americanos, mas os acessos fora dos Estados Unidos vêm aumentando. Também cresce a utilização de aplicativos ligados ao microblog.

Solicitado na conversa com jornalistas a se definir em 140 caracteres, Stone respondeu que ficaria com apenas uma palavra: artista. Foi desse modo, como artista, que ele começou sua carreira. O desenho do passarinho que representa o site é dele. Mas o da baleia, não. Para quem não sabe, a baleia surge carregada por passarinhos quando o serviço trava em função do volume intenso de acessos ou dos problemas técnicos, fantasma que ainda persegue o Twitter, embora Stone diga que as pessoas têm visto um número menor de baleias ultimamente.

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